quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Maquiavel: Virtú X Fortuna

Durante muito tempo pensou-se Maquiavel de uma forma errada, como um autor que prega o despotismo e uma política imoral em que vale de tudo para atingir determinado fim (a famosa “Os fins justificam os meios”). Tentarei elucidar essa questão através de dois conceitos chaves da análise maquiaveliana ( não maquiavélica): Virtú e Fortuna.
Esses dois conceitos inauguram um novo momento da filosofia política, a partir deles começa-se a pensar política de forma política, ao contrário de antes que se abordava o tema a partir de análises religiosas ou morais.
Fortuna diz respeito às circunstâncias, ao tempo presente e as necessidades do mesmo, a sorte da pessoa. É a ordem das coisas em todas as dimensões da realidade que influenciam a política, é externa ao homem e desafia suas capacidades.
Virtú ( traduzindo do Latim para o Português: Virtude, porém é melhor usar Virtú, para não confundir com a virtude moral) é justamente a capacidade do indivíduo (político) de controle das ocasiões e acontecimentos, ou seja, da fortuna. O político com grande Virtú vê justamente na Fortuna a possibilidade da construção de uma estratégia para controlá-la e alcançar determinada finalidade, agindo frente a uma determinada circunstancia, percebendo seus limites e explorando as possibilidades perante os mesmos. A Virtú está sempre analisando a Fortuna e, portanto, não existe em abstrato, não existe uma fórmula, ela varia de acordo com a situação.
Talvez de uma má interpretação desses conceitos que tem origem a visão maquiavélica de Maquiavel. Pois, os fins justificam os meios dentro de uma determinada situação política que sofre influência de outras dimensões como a social, a econômica e a moral e cabe ao político com as suas capacidades de análise e de estratégia achar um meio perante essa conjuntura para realização de um determinado fim.
Na obre O Príncipe, cap. 25, em que Maquiavel explica esses conceitos, ele fala sobre a crença que há em sua época em um determinismo divino, o desenvolvimento dos mesmos se opõe a esse determinismo como vimos, porém devemos cuidar pois assim como a Fortuna não é determinada e fatalista, mas sim muda de acordo com a conjuntura, a Virtú não o simples livre arbítrio, mas sim a escolha certa na hora certa.

11 comentários:

Neve de Primavera disse...

é preciso contextualizar maquiavel com sua época,dita renascentista (termo inadequado,pois podem ter bebido nasfontes antigas,mas a realida é bem outra logo, o pensamento se modifica).a europa estava em crise,política, religiosa, artística haha não vou me aprofundar(ainda mais sem a seguridade de um embasamento teórico ahha),contextualizandovisualiza-se de forma mais clara o pensamento dele,mas arrisco dizer que não existem interpretações certas ou erradas de seu pensamento, existem apenas interpretações diferentes,frutos de sua época. talvez agora,num contexto(nossa,nãopárpo d usar esta palabvra) diferente dos anterores se chuegue a uma in terpretação até inovadora. voltando ao maquiavel, "os finsjustificam os meios" não poderia vir a ser ao contrário? hua,pois deve-se analisar aos meios, a realidade,para poder se chegar a um fim . claro que não é tão simples e bobo assim,tem que se pensar não só em meios e fins,mas o papel que deveria ter o então politico,que acredito que seria sempre omesmo,nãoimportando a realidade..toenganda? internet dá nisso, ocara viaja, semocompromisso de revisão bibliográfica...que meus ex-professores n ã o me leiam ahhah

guirelativamentefalando disse...

A análise do contexto realmente é fundamental para a compreenção, pois em seu contexto (fracasso da repúblicas da Itália setentrional e situação instabilidade política e vilência) Maquiavél refletia sobre a formação de um poder soberano, de um Estado que fosse detentor do monopólio legítimo da força física, esse seria o fim, mas ampliando a análise a partir de seus conceitos poderíamos pensar em outros fins.
Sobre os meios justificarem os fins, não sei se justificariam, mas poderiam explicar determinado fim. Grosseiramente poderíamos lembrar a teoria marxista que diz que somos condicionados pelos meios materiais, portanto os fins são condicionados por esses meios. Enfim...especulações teóricas para se pensar.

Mariana disse...

É inacreditável sua análise. Você me parece ser uma pessoa muito articulada e inteligente. Acredito ser a primeira vez que encontro palavras sensatas a respeito de Maquiavel. Um texto muito bem elaborado, e acredite, sei disso pois tudo oq vc falou será cobrado na minha prova e já tentei estudar por várias outras maneiras e até agora não tinha encontrado uma perspectiva tão fiel ao pensamento político proposto por Maquiavel. Meus parabéns!

Mariana disse...
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schmetterling disse...

Concordo com a Mariana, sua postagem foi de mmuita valia para o meu entendimento a respeito da Virtù X Fortuna.
Parabéns!

Rafael disse...

Nunca havia lido nada sobre Maquiavel(apenas ouvido algumas frases), após dispertado meu interesse me deparo com seu texto que saciou completamente minha curiosidade.
Parabéns

gnj disse...

A Virtú é a disposição de fazer tudo aquilo que for ditado pela necessidade ─
independente do fato de ser a ação eventualmente iníqua ou virtuosa ─ para alcançar os
mais altos objetivos. Ora, denotando a Virtú a qualidade de flexibilidade moral, cai por
terra a rígida oposição cristã entre os vícios e a virtude. Há vícios virtuosos, e há virtudes
que trazem a ruína.

Natanael disse...

gnj, Maquiavel fala de um ambiente político e não religioso. Seus conceitos são oferecidos a um Príncipe político e não a um Príncipe eclesiástico. Na minha opinião, a lógica cristã permanece ilesa no pensamento maquiaveliano.

Natanael disse...
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Natanael disse...
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Natanael disse...
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